Regras da Vida – Máfia (Parte 1)

PS: Recebi várias mensagens dos parceiros da blogosfera indicando a dificuldade no inglês. Este conteúdo não merece ser descartado devido a barreira da língua. Portanto, excepcionalmente, este post será em português.

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Salvatore Lucania, o “Lucky” Luciano, foi o chefe da família mafiosa Genovese, de Nova York. Em 1925, aos 28 anos, acumulava US $ 12 milhões de lucro em contrabando e jogos de azar .

 

Um homem de honra (como são chamados os homens da Máfia calabresa ‘Ndrangheta), foi gravado em NY enquanto discursava para mafiosos italianos, ítalo-americanos, albaneses e guatemaltecos. O áudio foi transcrito em sua íntegra na grande obra literária sobre a Máfia: Zero Zero Zero*, do jornalista italiano Roberto Saviano.

* (termo utilizado para a cocaína com o grau de pureza mais alto)

A opinião crua e nua deste mafioso sobre diversos temas da vida de um homem demora a ser digerida pelo leitor. É um soco no estômago. É objeto de inúmeras releituras. Por este motivo será dividido em partes. Abaixo apresentamos para a blogosfera este conteúdo provocador, instigante e objeto de horas e horas de pensamento e reflexão.

DISCURSO – PARTE 1

“Um mundo dos que acreditam poder viver com justiça, leis iguais para todos, com um bom trabalho, dignidade, mulheres iguais aos homens… são um bando de idiotas que acreditam poder se enganar e enganar quem está a sua volta.

Deixo para os idiotas as babaquices sobre o mundo melhor. Os idiotas ricos que compram esse luxo de acreditar no mundo feliz, no mundo justo. Ricos com sentimento de culpa ou com alguma coisa a esconder.

Quem manda faz, e ponto. Ou pode dizer que manda pelo bem, pela justiça, pela liberdade. Mas isso eu deixo para os idiotas. Quem manda, manda. Ponto final. As regras da Máfia são as regras da vida. As leis do Estado são as regras de uma parte que quer foder a outra. E nós não deixamos foder por ninguém.

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Benjamin “Bugsy” Siegel (1906 – 1947) foi um dos principais contrabandistas de bebidas alcoólicas durante a Lei Seca. O apelido “Bugsy” se referia ao seu temperamento: cruel com os inimigos, empreendedor com os amigos e sedutor com as mulheres.  Desempenhou um papel fundamental na construção de Las Vegas.

Tem quem ganhe dinheiro sem riscos, e esses senhores sempre terão medo de quem, ao contrário, ganha dinheiro arriscando tudo. Se você acha que deve tirar o corpo fora, então é melhor deixar claro de uma vez: você não é homem. Nunca será um homem.

Você acredita no amor? O amor se acaba. Acredita no seu coração? Ele para. Acredita na boceta? Ela seca. Acredita na sua mulher? Acaba a grana e ela te larga. Acredita em seus filhos? Acaba a grana e dirão que você não os ama. Acredita em sua mãe? Se você não lhe sustentar ou paparicar dirá que você é um filho ingrato.

Escutem o que digo: (…)”

(A parte final do discurso será publicada em Regras da Vida – Máfia Parte 2)

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Joseph Salvatore Merlino “Skinny Joey” é o chefe da Máfia de Philadelphia, atuando com extorsão, apostas, tráfico e agiotagem.

 

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11 thoughts on “Regras da Vida – Máfia (Parte 1)

  1. Não conhecia essa biografia, vou anotar aqui para pesquisar.

    O dinheiro acaba e acaba tudo junto. Já viu Narcos? Veja o que era Escobar e no que ele se resumiu quando o dinheiro acabou e quando todos já não acreditaram nele. Até o braço direito dele traiu ele pra ficar com uma grana quando viu que o barco já estava afundado.

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    • Já assisti Narcos sim. Um bom seriado.

      Maquiavel escreveu que o amor é um laço existente quando ainda vivos os interesses. Se encerram os interesses, acaba o amor. Lealdade dificilmente é construída com base em sentimentos verdadeiros. Ainda mais em uma estrutura organizacional como de Pablo Escobar.

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    • Fala Cowboy

      A história de grande parte deles é cheia de empreendedorismo e negociatas. A diferença para os outros empreendedores, é que mafiosos costumam ultrapassar muito mais vezes a linha da legalidade. Independentemente disto, são inegáveis suas habilidades para negócios.

      Abs

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  2. Fala termo, já dizia a velha música ” O dinheiro saiu pela porta, e o amor pulou a janela, fiquei sozinho, fiquei sem ela” É um brega, mas que retrata essa questão do dinheiro. Algumas coisas eu já imaginava, outras me fez refletir um pouco mais sobre isso.

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