5 Armadilhas de Dopamina que Destroem Qualquer Homem

A dopamina é o neurotransmissor responsável pelo controle da recompensa e prazer. Ela é liberada sempre que realizamos atividades que proporcionam uma recompensa. Consequentemente, o cérebro aumenta o desejo para realizar tal atividade, criando um loop em busca do prazer.

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Em tempos não muito distantes, descargas de dopamina eram limitadas a certos eventos: procriação, caças bem sucedidas, etc. Ela era liberada naturalmente em resposta a atividades de gratificação que se concretizavam. Hoje não é preciso. As tecnologias proporcionaram acesso a picos maciços por longos períodos de tempo. E é exatamente aí que mora o perigo.

A superabundância de dopamina no cérebro é excitante no curto prazo, mas leva a quadros de depressão e desmotivação no longo prazo. Isso ocorre porque os receptores de dopamina se tornam dessensibilizados por conta do excesso experimentado. Quando o estimulo é removido, estes receptores ficam dessensibilizados, portanto o cérebro vai precisar de mais e mais dopamina apenas para se sentir normal. Este é o mecanismo da dependência.

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A esquerda, cérebro saudável. A direita, cérebro de usuário por 30 dias em anfetaminas

O acesso imediato aos picos de dopamina é contraproducente. Quando somos capazes de uma recompensa neuroquímica na ponta dos dedos, acabamos nos recompensando por fazer nada. Este ciclo vicioso de sentir recompensa por nada é desastroso em nossa capacidade de fazer qualquer tipo de planos, estratégias, projetos, trabalhos e atividades.

A solução é progressivamente eliminar os super estímulos neurológicos que liberam níveis excessivamente elevados de dopamina. Esses estímulos são propensos de abuso devido a sua extrema facilidade de acesso. Vamos a eles:

1. Pornô

Quando se trata da fonte mais comum de gratificação instantânea, a pornografia é imbatível. Ao contrário de certos alimentos ou drogas, simplesmente não há um limite para o quanto pode consumir por dia. Isso, em conjunto com o fato de que há infinitas possibilidades para novos e novos estímulos – sob a forma de gêneros extremos e fetiches – torna a pornografia uma arma. Não é incomum que muitos degenerem progressivamente em formas mais extremas de pornografia para provocar uma resposta maior à dopamina, apenas para ter a sensação de prazer que sentiram a primeira vez que a assistiram.

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A superabundância de dopamina nestes casos também tem repercussões físicas, como por exemplo a disfunção erétil induzida por pornografia. A dopamina desempenha o papel de sinalizar ao  hipotálamo para enviar um impulso nervoso pela medula espinhal em direção à genitália, a fim de alcançar a excitação física. Quando os receptores de dopamina não se tornam suficientemente estimulados, ele terá problemas para manter uma ereção fora das formas extremas de pornografia que gradualmente condicionou seu cérebro a exigir.

2. Mídias Sociais 

As mídias sociais são as campeãs das distrações. O problema é que ele treina o usuário a precisar de pequenas e intermitentes doses de  dopamina várias vezes ao dia. Estamos constantemente verificando o WhatsApp, esperando likes no Instagram,  ou esperando uma resposta de um match no Tinder, apenas para obter essa pequena onda de dopamina. A capacidade de se concentrar em tarefas diminui exponencialmente devido a esse constante comportamento de busca de validação.

Não só as mídias sociais são um prejudicial que abusa do nosso sistema de recompensas, mas também tende a fazer com que você se sinta inferior. As pessoas que você segue apenas publicam os momentos mais emocionantes que experimentam, fazendo com que suas vidas pareçam mais emocionantes do que realmente são. Muitos de nós esquecemos isso e ficamos presos na comparação de nossas próprias vidas com as que vemos nas mídias sociais.

3. Games, Netflix e TV

Explosões, tramas, violência, paixões. Todas desencadeiam picos de dopamina – táticas para manter você entretido e colado no seu lugar por horas. A maioria dos videogames mantém você ocupado da mesma maneira, mas tem uma agravante: o sistema de recompensas ao personagem. Ao dar ao cérebro do jogador a ilusão de trabalhar arduamente para melhorar o personagem para um certo nível, o usuário voltará todos os dias para se conectar por várias horas visando evoluir no game.

4) Açúcar

Comer açúcar faz com que grandes quantidades de dopamina sejam liberadas. A frutose encontrada no açúcar ultrapassa nossos mecanismos normais de saciedade, promovendo a resistência a um hormônio liberado por nossas células de gordura chamada leptina. A leptina trabalha para alcançar a homeostase (equilíbrio) na quantidade de gordura que nossos corpos carregam. Quanto maiores são nossas células de gordura, mais leptina é segregada, sinalizando para o cérebro comer menos comida. Ao tornar o cérebro temporariamente resistente à leptina, a fructose incentiva o armazenamento de gordura.

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A esquerda, um cérebro saudável. Ao centro e a direita, cérebros de um viciado em cocaína e um obeso respectivamente.

Com o advento do açúcar refinado vimos uma crescente incidência de obesidade e diabetes tipo 2. Tudo isso decorre do fato de que o açúcar funciona como uma substância aditiva, liberando grandes quantidades de dopamina quando ingeridas, levando a desensibilização ao excesso de consumo.

5) Teorização Excessiva

Talvez a finansfera fique surpresa quando ler isto. Mas muitos de nós temos paixão pela auto-aperfeiçoamento. O que não percebemos é que a leitura de posts de blogs e mais blogs, livros após livros, é um comportamento de busca de dopamina. Preencher a cabeça com a teoria – novos truques e insights – sem tomar as medidas adequadas para implementá-los é a masturbação mental em sua forma mais pura. Para a maioria das pessoas, a leitura contínua deste material é uma espécie de auto-ajuda, uma forma para o cérebro obter um golpe de dopamina, enquanto fica um falso sentimento de sucesso e realização.

Acompanhe todas as ações que você faz diariamente, que realmente o aproximam de alcançar seus objetivos. Evite cair na armadilha de mascarar seu medo de agir com a saturação da leitura de teorias.

Conclusão

É preciso uma mente forte e consciente dos perigos do ciclo vicioso do abuso de dopamina que existe no nosso mundo moderno. O homem comum procura viver com conforto, bombeando cegamente seu cérebro com dopamina diariamente, desde o momento em que ele acorda até o momento em que ele volta para a cama.

a) Ele abusa de pornografia, se auto sabotando em seu próprio interesse por mulheres reais e consequentemente sofrerá com efeitos colaterais – como disfunção erétil – que cria um loop negativo para consumir mais e mais pornô.

b) Ele coloca sua confiança nas mãos de terceiros, dependendo de validação externa através das mídias sociais. Isto invariavelmente tira o foco dos principais objetivos, ocasionando em resultados medíocres, o que cria um loop negativo de maior necessidade de validação externa.

c) Ele se entope de fast foods e lanches açucarados, levando lentamente suas células ao esgotamento, tornando o cérebro resistente à leptina, criando um loop negativo de armazenamento de gordura.

d) Ele senta por horas na frente da TV, Netflix ou jogando videogames para relaxar do seu “dia duro”. Outra variação é quando lê diversas teorias sobre como ser melhor, mas não coloca absolutamente nada em prática, em uma contemplação da incapacidade de reunir um pingo de disciplina para escapar do inferno que ele chama de vida, criando um loop negativo para consumir mais TV, NetFlix, games e auto-ajuda.

Para progredir lentamente na solução destes problemas, cabe destacar que após uma  fase de retirada dos estímulos acima, os receptores de dopamina do cérebro voltam a ser sensíveis aos efeitos da dopamina. Você verá tipicamente sua clareza mental e foco melhorar primeiro, seguido por uma maior disposição para realizar atividades que você normalmente acharia atencioso. Em torno de uma semana, você notará uma melhoria acentuada no humor, confiança e uma grande redução na ansiedade.

 

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20 thoughts on “5 Armadilhas de Dopamina que Destroem Qualquer Homem

  1. Fala Termosreais,

    Cara, pornografia é uma coisa que vicia bastante. Ainda bem que consigo me controlar. Algumas pessoas sao workaholic e conseguem dopamina trabalhando hehe pelo menos ganham dinheiro.

    Sinto que quando fico analisando meus rendimentos fico melhor, acho que essa analise dos investimentos libera dopamina na maioria da galera aqui da finansfera ne?

    Abraços

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    • Fala BnA

      A dopamina é isenta de um caráter moral bom ou ruim. Ela apenas é o que é. O sistema de recompensas (gatinho – feedback de prazer – dopamina) pode ser utilizado visando nossas metas de longo prazo ou para nossa destruição.

      Se você sente prazer quando analisa seus investimentos, o feedback em sua essência positivo para você mesmo, pois é um prazer que vai estimular uma conduta ainda mais poupadora, para investir mais e sentir mais prazer, e assim desencadeando um círculo virtuoso.

      Apenas se deve tomar cuidado para não deixar os investimentos se tornar a ÚNICA fonte de prazer, pois em caso de perdas patrimoniais (queda da bolsa, default em títulos públicos, perda de emprego, etc) o baque pode ser imenso – assim como um usuário de pornô compulsivo sem poder acessar a sua fonte de dopamina: pornografia.

      Abs!

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    • Fala BPM!

      Eu também não estou isento destas armadilhas de dopamina. Nenhum de nós está. O que é importante é justamente a noção de que elas são ferramentas que podem ser utilizadas para nossos objetivos (como falei acima no caso do Brasileiro na Arábia) ou para nos destruir completamente.

      Posso mencionar um exemplo inclusive em seu excelente blog: quando você posta fotos das viagens para Ilhas Canárias ou Grécia, a beleza remete a inúmeros pensamentos que, sem dúvidas, é uma fonte de dopamina instantânea para o leitor. Aqui entra o detalhe crucial. Ela pode ser utilizada de duas formas: para motivar ainda mais o colega da finansfera a alcançar os objetivos financeiros ou apenas como fonte de prazer imediato, abstrair da realidade e ficar contemplando apenas o que outros membros da finansfera alcançaram.

      Se for utilizado para a primeira opção é uma enorme ferramenta para feedback positivo (inclusive recomendo que você poste ainda mais fotos das viagens, são ótimas)!

      Abs amigo!

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  2. Muito bem colocado TR!

    Esses são grandes males que pouca gente percebe.

    Há alguns anos eu era viciado em jogar FIFA, passava horas jogando, e embora soubesse que estava perdendo um tempo precioso da minha vida, continuava a jogar. Hoje já estou “limpo” desse vício hehe.

    Tento hoje tomar cuidado com o que você chama de “teorização em excesso”, que devido a abundância de informação disponível, afeta muita gente. Sempre se adiando a ação na eterna busca por um novo insight, uma nova orientação, uma nova opinião, uma nova metodologia.

    Abraços!

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    • Fala Ministro!

      Seu vício em FIFA é mais do que compreendido pelo público masculino que gosta de esportes – e estou incluso nesta lista. Apesar de ser fã de esportes – e consequentemente dos games deles derivados – inegável ressaltar que é um tempo tremendo jogado na lata de lixo.

      Em relação a teorização excessiva tenho convicção que todos nós da finansfera já experimentamos usufruir da dopamina por estes meios. E aqui, eu novamente faço a mea culpa. Não sou a exceção à regra. Procuro me policiar para não cair nesta fonte tentadora de superabundância de dopamina.

      O importante é os colegas da finansfera estarem cientes destas armadilhas.

      Abs!

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    • Fala English Investor

      Primeiramente, obrigado pelo elogio. A excessiva teorização é um quadro encontrado em toda a finansfera. É inegável como este ambiente é viciante: vários insights, histórias, dicas, informações. Sem sombra de dúvidas tudo isso é muito válido. Em relação as fontes de dopamina apresentadas acima, tenho convicção que ela é a que mais apresenta benefícios.

      No entanto, devemos ter cuidado para não cair na armadilha da eterna teorização, pois de nada adianta adquirir conhecimentos e não colocá-los em prática. E esta armadilha pode desencadear em um ciclo vicioso nada produtivo.

      Cheers!

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    • Fala Cowboy

      Obrigado pelo elogio. Redes sociais são doses instantâneas de dopamina. Basta um toque na tela do celular e já temos acesso a gratificação. Isto afeta todos os humanos, mas os jovens, em especial, diferentemente de nossa geração, crescem em uma interação muito maior com essa armadilha.

      Abs!

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  3. Fala Termo, então mano, creio que sou viciado na Finansfera também. quanto ao pornô não sou muito ligado não, prefiro o real mesmo, hehehe. senti essa falta de dopamina quando parei de tomar refrigerante recentemente, nunca tomei muito, mas resolvi parar de vez e foi foda mano, aquilo me deixava mal louco pra tomar aquilo, ficava buscando desculpe para tomar, mas hoje estou “limpo” nem vontade sinto mais. fico assim também quando não vou treinar, me senti mal.

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    • Fala Maromba! Acredito que todos os membros ativos da finansfera – incluindo este que vos fala – possuem este vício. Ao menos é um vício que apresenta um upside positivo: o conhecimento – seja ele teórico ou prático – que podemos utilizar em nossas vidas. Só depende de nós.

      Abs!

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  4. Já cheguei a perder um dia inteiro para ficar em casa vendo pornografia. Essa parte do conteúdo também é verdade, só fui perceber quando vi que estava baixando coisas cada vez mais bizarras para saciar o desejo, já que só ver uma mulher transando com um cara já não era mais o suficiente, eu tinha que vê-la fazendo um sexo cada vez mais pesado.

    Dou um conselho: Largue isso enquanto podem.

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