O Gosto Amargo do Déjà Vu

Sem título

As recentes altas históricas das bolsas brasileiras e americanas me fazem refletir sobre o pensamento coletivo. O poder das massas é inegável. Se opor a tendências é suicídio e insensatez. O homem superior sabe diagnosticar uma mudança de rota – sejam elas políticas, sociais, econômicas e culturais. E o olhar objetivo sobre estes cenários é desenvolvido através de conhecimento, sejam eles teóricos e práticos.

A vida nos ensina muito, sejam através de experiências próprias ou de terceiros. O ser humano insiste em preferir o primeiro método. O sistema límbico é imbatível. As marcas ficam impregnadas em nossa mente, em nossas memórias mais profundas, e chegam a construir nosso caráter e visão de mundo. A crise de 2008 me causa flashbacks.

As recentes máximas históricas me trazem um gosto amargo na boca, assim como aqueles remédios tão comuns em nossa infância. Já experimentei o gosto que precede a queda. O sabor da exuberância irracional é primeiramente doce, mas rapidamente se torna azedo e indigesto. Tudo aquilo que causa prazer rapidamente se transforma em dor. É a lâmina da espada encostando suavemente no pescoço dos jovens – tão enérgicos e intrépidos quanto o golpe fatal.

Quantas economias destroçadas. Quantos homens expulsos do mercado. Quantos relacionamentos devastados. Ingênuos aqueles que pensam que a perda é restrita ao dinheiro. O mercado é cruel. Os relacionamentos também. A máxima darwiniana pode ser discutida em outras esferas sociais. Não aqui. Aqui só sobrevive quem melhor se adapta.

Durante a crise, não reprima sentimentos. Isto é impossível e foge à essência humana. Você se torna um louco, um desajustado social. Tenha autoconfiança. Escute os outros apenas quando você desejar, e não quando eles assim entenderem adequado. Questione seu interlocutor. A mídia não vai te ajudar a ficar rico. Especialistas, se efetivamente soubessem dos segredos da riqueza, seriam milionários e não funcionários.

No calor dos fatos, é necessário pensar estrategicamente e não taticamente.  A estratégia é longo prazo. É o fim. A tática é o conflito diário. É o meio. Não reaja emocionalmente – seja com medo, depressão ou frustração. Conserve os seus objetivos de longo prazo, sejam quais forem as circunstâncias. Permaneça confiante, decidido, sóbrio e incólume ao caos.

“Neste mundo, onde se joga com dados chumbados, um homem precisa ter um temperamento de ferro, com armadura à prova dos golpes do destino, e armas para enfrentar homens. A vida é uma longa batalha; temos de combatê-la a cada passo; e Voltaire com toda a razão diz que, se temos sucesso, é à ponta da espada, e que morremos com a arma na mão.” Arthur Schopenhauer

 

 

 

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13 thoughts on “O Gosto Amargo do Déjà Vu

  1. “O homem superior sabe diagnosticar uma mudança de rota – sejam elas políticas, sociais, econômicas e culturais. E o olhar objetivo sobre estes cenários é desenvolvido através de conhecimento, sejam eles teóricos e práticos.”

    “No calor dos fatos, é necessário pensar estrategicamente e não taticamente. A estratégia é longo prazo.”

    Estes dois trechos resumem o que penso! rs

    Voltei a escrever! se quiser, da uma passadinha lá no meu blog!
    http://enriquecendo.club

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  2. Termos Camões Reais,

    Por um momento pensei que estava lendo o início de um dos relatórios da Empiricus kkkk

    Muito bom amigo, esse Dejà Vu já não é desespero para os mais experientes. Que venham mais “dejavures”.

    Abraço camarada!

    Liked by 1 person

      • O BPM já é um parceiro das antigas, sempre bem humorado nas respostas. Mas também né Investidor Inglês, com as casas que ele comprou em Creta e nas Ilhas Canárias, até eu ia ficar sorrindo de orelha a orelha o dia todo… =D

        Cara, mas você teve maturidade e coragem o suficiente para colocar uma pedra no passado, aprender com os erros e voltar para a bolsa. Isto fala muito sobre seu perfil. Tem muita água pra passar por debaixo da ponte e pelo que leio em seu blog você está no caminho certo.

        Abs!

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    • Muito boa a referência ao Empiricus, ahahah! Mas brincadeiras à parte, você conseguiu traduzir de um modo bastante palpável o que experimentei após o Joesley Day… Foi o aprendizado a partir da experiência própria, e evoluí bastante ao transitar da euforia à frustração de ver a carteira desabar em apenas um dia. Por sorte, o dano foi contido, pois fiz um esforço grande para analisar a situação de forma racional e não me deixar levar.

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      • Fala Dono da Mascada!

        O BPM é uma figurassa! Este aí não tem jeito não kkkk

        Cara, a questão da sua evolução não tem preço. Se você utilizar este quadro mental (racional) para enfrentar todos os problemas que vai enfrentar em sua vida, você está na frente de 99% das pessoas. No fim das contas, a queda do Joesley Day foi um aprendizado que acaba saindo barato no longo do tempo.

        Abs!

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