Sugar Babies: O Conto de Fadas dos Homens Modernos

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Vivemos em uma era de comoditização de áreas pessoais. Quer um exemplo melhor do que Tinder, Happn e outros apps de relacionamentos? Basicamente o cardápio de opções é oferecido a um deslize de dedos na tela. O aforismo propagado pelo lendário Silvio Santos –  “Tempo é Dinheiro” – é aplicado em diversos outros aspectos de nossa vida moderna.

Tenho refletido a respeito desta moda de “Sugar Babies”. Para os que não conhecem a terminologia, faço uma breve explicação. Mulheres no auge de sua beleza física procuram por ‘encontros’ com homens em boas condições financeiras, para que estes banquem seus estilos de vida e outras regalias. Em troca, estes caras tem o privilégio de ‘sair’ com estas mulheres.

O pulo do gato da história toda é que estas garotas, em condições normais, estariam fora das possibilidades destes mesmos homens sob o parâmetro do desejo verdadeiro mútuo. Em outras palavras, são aquelas mulheres que não dariam a mínima para estes caras que não despertam nelas um desejo verdadeiro – ou seja – vontade genuína. Basicamente é uma dinâmica de encontro muito parecida com a prostituição.

A Hipocrisia Na Análise

Outro aspecto que prende a minha atenção é a hipocrisia na interpretação de fatos semelhantes. A regra é diferente para duas situações idênticas, sendo que a única variável é o sexo. Explico melhor. Quando uma mulher busca um homem apenas por suas condições financeiras, ela é aplaudida pela sociedade atual pelo seu empoderamento. Quando um homem busca uma mulher baseada tão somente em seu valor sexual, ele é taxado de machista desumano que vê as mulheres como mero objeto sexual. Veja que ambos os casos são exemplos de commoditização, mas no caso das mulheres ele é aceito e incentivado pela sociedade, enquanto no caso dos homens ele é objeto de escárnio.

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Sem papas na língua, vejo toda esta situação como uma prostituição com roupagem diferente. Nossa cultura ocidental do século XXI trouxe esta novidade. No entanto, a commoditização apresenta um problema à ser refletido: ela estabelece uma área cinzenta entre desejos genuínos e interesses motivados.

No caso das ‘Sugar Babies’, a prostituição facilmente se transforma em ‘encontro’ quando existe um conforto da mulher com o homem. Explico melhor. Quando a Sugar Baby percebe que o seu Sugar Daddy tem um alto valor de mercado ( além do pre-requisito do dinheiro também apresenta beleza física, charme, eloquência, etc), ele se transforma rapidamente em um ‘relacionamento’. Em contraposição, quando o Sugar Daddy apresenta um portfólio de skills sociais pobre, ele é apenas um ‘cliente’ a ser tratado nas sombras.

A maioria dos Sugar Daddies são homens casados

Muitos homens casados se transformam em Sugar Daddies. E isto não é nenhuma surpresa. Todos os homens tem uma idealização sobre o que procurar em relacionamentos com as mulheres: a feminilidade pura, a apreciação e desejo verdadeiro, o cuidado íntimo, a conversa interessada, o sexo prazeroso. E a dura realidade é que muitos casamentos não oferecem isto. Em contrapartida, as Sugar Babies oferecem isto – mesmo que seja fake.  E os homens sabem disso! Mas então qual o motivo de aceitar tal fantasia?

A fuga da realidade cobra um preço relativamente barato perto do preço de um rompimento matrimonial. Então estas garotas no auge da sua beleza física são as escolhas dos homens casados para provisionar uma reciprocidade que ele não encontra há muito tempo com sua esposa. Até a feminilidade fingida é melhor do que uma solidão em um casamento.

Conclusão

Propagar que todas mulheres modernas são Sugar Babies é uma falácia. Mas o processo de identificação de mulheres com interesse genuíno e tão somente interesse financeiro ficou bem mais nebuloso. Isto é reflexo da commoditização que enfrentamos em diversas áreas – incluindo os relacionamentos inter gêneros.

Se o conhecimento é metade do sucesso, a outra metade vem da atitude dos homens perante as informações aqui apresentadas. Para os casados, se envolver com uma Sugar Baby pode ser um paliativo para uma situação  insustentável. No entanto, este remédio é apenas reflexo de que a maioria dos casamentos modernos enfrentam graves problemas.

Quando o marido insatisfeito – e estes são milhões – visualiza que o retorno sobre o tempo, dinheiro e emoção investidos no seu relacionamento é pífio, ele não hesita em procurar uma solução, mesmo que ela seja fantasiosa. Afinal de contas, o homem em sua essência profunda, idealiza as mulheres de forma que os relacionamentos modernos atuais – moldados pela sociedade do século XXI – não conseguem suprir.

 

 

 

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17 thoughts on “Sugar Babies: O Conto de Fadas dos Homens Modernos

    • Obrigado pelo elogio Cowboy. É a verdadeira commoditização que a tecnologia proporcionou. Tem seus lados positivos e seus lados negativos, assim como tudo na vida. Mas a questão das sugar babies é algo relativamente novo e que tomou impulso maior com a facilidade dos apps. Abraços!

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      • O assunto é sério mas vou polemizar o conservadorismo e atualizar as necessidades. Não que seja minha opinião.

        Certa vez um senhor de 75 anos que já estava aposentado e tinha uma boa grana guardada estava com uma mulher novinha de 25 anos. Nessa ocasião eu estranhamente (com meus conceitos de sociedade impostos, igualzinho as polêmicas de ideologia de gênero de hoje) questionei ele sobre isso. Disse que uma mulher de 25 anos só queria usar o dinheiro dele pra viver e tirar a ondinha dela eis que veio a resposta que me surpreendeu! Ele respondeu:

        Meu filho, você ainda é jovem então vai casar com uma jovem. Eu sou velho, tenho dinheiro, não uso tudo, minha esposa morreu, meus filhos casaram e me visitam de vez em quando, os asilos são um porre, as enfermeiras são gordas, mal humoradas, mal remuneradas e um porre, não me deixam beber, não tomam banho de banheira comigo, não deixam eu comer um torresminho de vez em quando e mais um monte de coisa chata na vida de um velho. Consegue entender que quem está usando ela sou eu? Acabei de dar a ela um carro popular novinho, ela ficou muito feliz e me leva onde eu quiser. Pronto, acabei de comprar meu próprio Uber. Vem aqui em casa e além de arrumar umas pequenas coisas, pois tenho empregada (gorda diga-se de passagem) ainda faz sexo comigo (não a empregada e sexo é quando consigo). Quando preciso ir ao hospital ela me leva. Bebemos vinhos e nos divertimos bastante. Dou a ela por mês 2 mil reais (isso foi mais ou menos em 2011), deste modo temos um contrato. Ela cuida de mim e eu banco ela. Ela pode sair com outros caras pois sei que não tenho pique para satisfazê-la. Ela tá sempre bonita, bem arrumada, vai ao salão e faz faculdade (que também pago). E caso não me queira mais, tem um monte de amiga dela esperando por um Eu por aí, entende? Então pra quê ficar me estressando só porque estou gastando uns 4 mil com minha saúde? (considerando faculdade, a mesada e alguns gastos).

        Nessa hora eu apontei pra ele e falei: O senhor é o cara!

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  1. Tópico de grandes verdades. Estas redes de relacionamento (badoo, tinder, pof, happn, etc) vieram para mostrar como está o sexismo na modernidade. O sexo está muito fácil conseguir. Se o cara quiser so curtir, consegue transar facilmente sem compromisso. Não é atoa que vemos muitas garotas de programa reclamando da falta de procura.

    Não obstante, ainda temos a questão das mulheres “folgadas”. Como voce reparou no meu relato, muitas mulheres buscam um homem pronto. Nestes sites, também voce repara que grande maioria das mulheres tem acima de 33/34 anos atrás de provedor. 90% delas são mães solteiras, feministas “empoderadas” que exigem mundos e fundos sem ter nada a oferecer em troca (querem um cara com ensino superior, sem filhos, que tenha casa, carro e viagens mais de 5x ao ano. Aí é fácil né?

    Abraço

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    • Gari, o seu último parágrafo é irretocável. Mais uma vez você vem acrescentar um conteúdo valioso ao post.

      O que você mencionou casa com a hipocrisia da análise: mulheres commoditizando os homens é algo enaltecido pela sociedade, fruto do empoderamento. Os homens que commoditizam as mulheres pelo valor sexual, são linchados vivos pela conduta machista opressora.

      Que mundo vivemos.

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  2. Sem contar a vaidade né. A sensação do Sugar Daddy de ser um provedor.

    Eu acho tudo isso uma puta falta de onde gastar seu dinheiro. Se o cara tiver na maldade mesmo, com a grana que ele vai gastar com uma ele consegue “sair” com 10 diferentes nas casas de tolerância, flats, etc rs

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  3. Eu falo por mim, se é pra sair com garota de programa, qual a graça em sair sempre com a mesma?
    Eu jamais seria um suggar daddy.
    1- Eu tenho 32 anos, sinto atração por mulheres novas, com 19, 20 anos. Mas gosto de sair com mulheres que tenham idade compatível com a minha, a partir dos 28 até uns 35.
    2 – Eu não saio 2 vezes com a mesma gp. Não faz sentido na minha cabeça. Prefiro sair sempre com uma diferente.
    3 – Eu prefiro uma relação às claras. Eu saio, pago, fazemos sexo e tchau. Não quero que finja que gosta de mim. Eu já gosto de mim mesmo o suficiente. O que quero com uma gp é usar o corpor dela pro meu prazer.
    4 – Eu de forma alguma namoraria com uma mulher com menos de 25 anos. E quando tiver mais velho esse limite com certeza aumentará. Sexo é uma coisa, relacionamento envolve outras variáveis. Eu não consigo me imaginar sentado num restaurante almoçando com uma mulher de 19 anos. Consigo imaginar essa mesma mulher na cama do motel me satisfazendo.

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    • Dedé, seu relato é convergente com o pensamento de muitos homens. Mas obviamente que muitos preferem guardar a opinião para si.

      E, especificamente em seu caso, esta separação de objetivos (sexo com garotas mais novas, relacionamento com garotas mais velhas) é objeto de escárnio da sociedade atual. No entanto, se for a garota de 19 anos buscando um homem de 32 para sustentar seu padrão de vida, ela é aplaudida no auge de seu ’empoderamento’. Isto é incompreensível sob o tão popular discurso da igualdade. Mas este é assunto para outro tópico. Abraços!

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      • Tem duas questões aí:
        1 – por que devo me importa com que os outros pensam?
        Semana passada saí com uma gp, loira, 22 anos, parecia uma panicat.
        Saí, me diverti, foi bom pra caralho. Ao final paguei. A peguei numa boate, depois ela me deu cel pra caso quisesse sair com ela de novo. Eu anotei por educação e depois apaguei. Os que os outros pensam sobre isso pouco me importa. É a minha vida, meu dinheiro.
        2 – Eu realmente acho que há mulheres pra se relacionar e mulher só pra pegar. Outro dia tava falando sobre isso com um colega no trabalho.
        Lá tem uma estagiária, 25 anos, linda. Mas se veste de forma vulgar. Parece uma gp de orla. E ela é tão bonita que não precisa disso.
        Eu jamais namoraria uma mulher assim. Poderia pegar num fim de noite num bar ou numa boate. Mas mulher pra se relacionar tem que ter um certo nível, se vestir bem e saber se comportar.

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  4. esse negócio de Sugar Babies apenas profissionalizou o que as mulheres (uma grande parte) querem dos homens, dinheiro !!! Essa é a verdade desde criança você vê que mulher só vai atrás de status e poder, pobre não tem isso, logo está ligado a dinheiro rs

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